Carta - Fios - A Princesa flutuante

Guarulhos, 19 de agosto de 2016

Fios

Querida alma,

Hoje vivemos um dia prático. Ir a editora buscar os títulos. Sabe bem, que ainda é segredo. Shiiiu!!!
Tudo muito agradável: o café, o ambiente e principalmente a conversa.

Qualquer café se torna borra numa palavra atravessada. E qualquer frio cafezinho, aquece, à companhia de palavras doces.

Sim, já sei, quer saber do fio, certo?! Nos conhecemos bem, já ía chegar lá.

Livros e fogos tem fagulhas. Sejam elas coloridas ou letras estilizadas.

A capa só com os pezinhos da princesa. O livro em punho, como se fosse operar. Cirurgia literária.

Objetivo: biópsia. Causa: possível ignorância crônica. Principalmente a respeito de princesas que flutuassem.

O fio...

"Uma mulher chega ao ponto de ônibus e puxa assunto. Eu com o livro em mãos.

Tem gente que inicia a conversa editada, como se alguma vez tivéssemos nos visto e iniciado qualquer diálogo. Sendo que é a primeira vez que nos encontramos.

O livro ainda era um mistério. A mulher continua, até dizer algo, como: 'Tenho trinta anos de casada, nunca tive filhos e não me arrependo'.

Uma frase dessa a gente já percebe, lá vem história. E como toda história, ouvir sem esparar grandes revelações."

O fio está no início do livro.
Quando comecei a ler:

"Título: O quê? Sem filhos?

E começa o texto:
'Era uma vez, há tanto tempo que já nem me lembro mais, existiu um rei e uma rainha que não tinham filhos.
Esse rei pensava consigo mesmo: 'Todas as rainhas que conheço têm filhos. Algumas têm três; outras, sete. Algumas chegam a ter doze. E minha rainha não tem nenhum. Minha rainha está me prejudicando'. "
(MacDonald,George; López, Mercè. A princesa flutuante. São Paulo: Editora Pulo do Gato, 2012)

Pois bem, veja você, que nas primeiras palavras choquei! Aquela mulher que puxou assunto até mencionou: "Minha sogra teve onze filhos, pra quê tudo isso?!"

Ou disse algo bem próximo. As exatas palavras já se perderam. Daí o ônibus quebrou.

Tendo que descer para trocar de transporte, novamente nos vemos. Claro que eu queria saber se havia outras semelhanças entre o livro e história daquela mulher.
Viemos todo o caminho conversando. Eu mais ouvi. Ela desceu e eu segui meu trajeto. Mas o fio, esse que uniu o livro na minha mão e a história daquela mulher, esse fio só quem teceu sabe onde começou....

Alma de bons pensamentos, logo retorno a ti.

Seu,
Márcio Grou.

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