Série Cartas - Eu sou a raposa...

Guarulhos, 05 de setembro de 2016

Eu sou a raposa...

Bom dia, querida alma, os dias se tornam leves a medida que te escrevo,

O mundo é muito grande e seria bobo e até ingênuo de minha parte imaginar que conheço tudo ou todos. Digo que com aqueles que cruzei, sim, estes caminhantes no mundo, eles precisam de uma raposa.
Certamente quem leu o pequeno príncipe, já intui o que digo, mas registro o trecho, caso desconheça:

"- Que quer dizer 'cativar'?
- Tu não és daqui - disse a raposa. - Que procuras?
- Procuro os homens - disse o pequeno príncipe. - Que quer dizer 'cativar'?
- Os homens - disse a raposa - têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
- Não - disse o pequeno príncipe. - Eu procuro amigos. Que quer dizer 'cativar'?
- É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. - Significa 'criar laços' ...
- Criar laços?
- Exatamente - disse a raposa. - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo ..."
(Saint - Exupéry, Antoine de. O pequeno príncipe. Rio de Janeiro: Agir, 2009.)

Sinceramente, eu me acho agora mais próximo à raposa. Um pouco perseguido, um pouco machucado e por vezes me escondendo em buracos, mas ainda capaz de cativar e ser cativado.

Até, querida alma, algumas respostas custam mais a dar.

Agradeço teu ouvir,

Seu, sua raposa,
Márcio Grou.

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