Série Cartas - Hoje

Guarulhos, 09 de outubro de 2016

Hoje

Boa noite, querida alma,

Passou mais de um mês desde a última carta que escrevi. certamente não por negligência, mas por ter alguns detalhes ricos em magia, para te relatar e saborear depois. Não sei bem, sobre o que escrever hoje.

Estudei bastante nos últimos dias, fui ao teatro, caminhei. Parece tudo meio igual e rotineiro, mas é bem outra coisa.

Vou te deixar este poema em homenagem à Primavera. Que este perfume seus dias, como embeleza minha vida, querida alma:

Aceitação

É mais fácil pousar o ouvido nas nuvens
e sentir passar as  estrelas
do que prendê-lo à terra e alcançar o rumor dos teus passos.

É mais fácil, também, debruçar os olhos no oceano
e assistir, lá no fundo, ao nascimento mudo de formas,
que desejar que apareças, criando com teu simples gesto
o sinal de uma eterna esperança.

Não me interessam mais nem as estrelas, nem as formas do mar,
nem tu.

Desenrolei de dentro do tempo a minha canção:
não tenho inveja às cigarras: também vou morrer de cantar.
(Meireles, Cecília. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p.20)


Logo nos vemos, pequena gentileza,
Márcio Grou.



 



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