Série Cartas - Meu nome

Guarulhos, 31 de outubro de 2016

Meu nome 

Querida alma, cujo brilho relembra outras épocas,

Tão simples gestos, tenho a refletir.

Ouvi meu nome ser entoado como uma melodia. Quando ao ser dito, me pareceu ser a mim que ouvia numa breve explicação de quem sou: Márcio.
Achei interessante, porque quem disse, provavelmente nem notou, mas para ela agora talvez eu já comece a ser alguém. Já que aquele Márcio, não era qualquer um outro, era eu.
Parece bobo, ter me impressionado tanto, mas acho que foi a primeira vez que realmente compreendi e experimentei meu nome como um carinho.
Para quem geralmente ouvia o nome sempre antes de alguma repreensão ou algo do tipo negativo, intimidador. O que é comum, a quase todos nós, principalmente quando crianças: "Não faça isso, João", "Não mexe nisso, Maria".
Ainda me lembro do desgosto que sentia quando me tornavam diminuto: "Oi, Marcinho" ou "Oi, Ma".
Ouvir o próprio nome de outro jeito, noutro contexto, me fez refletir. Inclusive em como outras pessoas me chamam, com quais e a partir de que contexto e intenção. E percebo, que o nome e a maneira como é pronunciado, apesar de tão pouco, diz muito sobre a relação entre as pessoas. Sua profundidade e intimidade.

Um beijo a ti, querida alma.
Márcio Grou.

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